O canário

Na cafetaria do lar de idosos onde trabalho, há uma gaiola onde mora um canário. Nasceu lá. O pai, a mãe e o irmão já morreram e, ele, lá continua! Cada vez que lhe pusemos uma companheira, ela acabou por morrer. Chegamos a pensar que era ele o assassino! Que, se calhar por baixo das penas amarelas, escondia qualquer navalha suíça (patriotismo obriga, estamos na Suíça!), ou outra arma qualquer! Contente de ter herdado, sozinho, a gaiola, os  comedouros e, o caco que lhe serve de piscina, talvez não quisesse partilhar tudo isso com aquelas desconhecidas que lhe trazíamos e invadiam a casa dele! Ora desde há três dias que anda todo murcho, com as penas todas eriçadas que, segundo parece, é sinal de partida iminente para o paraíso dos passarinhos! Eu, ontem, até comentei que ele não duraria mais que dois ou três dias…. Respondeu o senhor Teixeira, do alto dos seus oitenta e tal anos e, com um grande sorriso :

– Tens razão Amélia, eu até já o ouvi  tossir, coitadinho!

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